Sábado, 29 de Janeiro de 2022
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Coluna | Jesus era militante de Direitos Humanos

06/12/2021 às 15h00 Atualizada em 06/12/2021 às 17h59
Por: Tay Marquioro
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Rosto de Jesus, recriado pelo fotógrafo holandês Bas Uterwijk, com auxílio de inteligência artificial
Rosto de Jesus, recriado pelo fotógrafo holandês Bas Uterwijk, com auxílio de inteligência artificial

Se você abriu esse texto chocado(a) com o título, acredito que você tenha interpretado errado o Evangelho.

Jesus foi preso, torturado e executado, como tantos são até hoje em nome da lógica de violência, desigualdade e, por vezes, até mesmo em nome do próprio Jesus. O Filho de Deus não pertencia à parcela ‘bem nascida’ da sociedade. Ele era pobre, periférico, trabalhador do campo e dedicou sua vida a caminhar com os marginalizados, denunciar opressões e repudiar o acúmulo de riquezas nas mãos de uns em detrimento à miséria de outros. Como tantos outros militantes com esse perfil, Ele também era preto. Sim, preto. Embora não haja na bíblia uma descrição física Dele, o povo judeu do Oriente Médio tinha pele escura.

Na próxima vez que você se solidarizar ao ver na tv o sofrimento de uma mãe que perde o filho para a violência de estado, observe mais profundamente. Onde ocorre essa violência, na periferia ou no bairro nobre? Quem são as maiores vítimas, o preto pobre ou o branco de classe média? Quem essa violência pretende exterminar, o marginalizado ou a pessoa que teve oportunidade na vida? Cada mãe, preta, periférica, que perde seu filho em uma situação de violência promovida pelo estado, poderia ser Maria.

A mensagem do Evangelho não tem nenhuma relação com qualquer regime ditatorial, autoritário e que violenta a dignidade humana. É impossível apoiar e celebrar ditaduras e governo autoritários e seguir Jesus. Um homem que foi vítima de tortura e morto por pregar palavras de amor e fraternidade. Logo, é impensável que usem o nome de Jesus para defender quem usa do seu poder para promover o sofrimento alheio, como ficou tão mais evidente desde o início dessa pandemia, por exemplo.

A lógica do “olho por olho e dente por dente” nunca foi o método de Jesus de Nazaré, assim como ele não estimulou a violência como forma de resolver conflitos. Para Ele, não havia razão para o discurso de ódio e nenhuma vida podia ser descartada. A vida de Jesus deveria nos inspirar a ser melhores e, na nossa atual realidade, defender os direitos humanos, o respeito à diversidade e a promoção da paz.

Em resumo: se os fundamentalistas religiosos estiverem certos, Jesus estava errado.

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