Sexta, 03 de Dezembro de 2021
Canaã dos Carajás Flacc 2021

Oficina de Turbantes celebra resistência da mulher negra em Canaã

Parte da programação da Flacc, oficina dá visibilidade à ancestralidade negra e à história de lutas por liberdade

20/11/2021 às 16h58 Atualizada em 20/11/2021 às 18h31
Por: Gazeta Carajás
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Oficina de Turbantes celebra resistência da mulher negra em Canaã

Mais que um adorno, o turbante é símbolo importante da resistência negra ao longo dos séculos. Povo subjugado, escravizado e assassinado por diversos algozes ao longo dos séculos, os negros a resistir, serem mais fortes e a luta por sobrevivência existe até hoje. Celebrando essa história tão rica e plural, a Prefeitura de Canaã dos Carajás, por meio da Secretaria de Educação, promoveu uma Oficina de Turbantes durante a programação do 2º Festival Literário e Artístico de Canaã dos Carajás (Flacc).

Ao longo de dois dias, interessados na arte e história do turbante puderam aprender mais sobre o processo de elaboração do objeto. Não por acaso, a oficina foi realizada também durante o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. Dezenas de pessoas passaram pela tenda onde o ofício era ensinado.

Responsável pela oficina, Erinelis Barbosa falou sobre o trabalho. “Eu trabalho com essa temática já há algum tempo e o convite foi muito bem-vindo para ministrar esse curso. Acredito que é importante fazer essa reflexão sobre a situação da mulher negra na sociedade. Trazer a instrução de turbante, para mim, foi uma satisfação.”

De acordo com ela, o turbante é a coroa da mulher negra. “Não basta não ser racista, é fundamental que a gente eduque a sociedade para que ela seja antirracista. O turbante é resistência para a mulher negra, é resistir a todos, tem um significado de empoderamento, para a mulher negra entender o papel dela. É resistências aos ‘nãos’ que recebemos todos os dias.”

Modelo da oficina, a jovem Laiane Freitas também falou sobre a importância da temática. “É muito importante. Fiquei lisonjeada com o convite e estou feliz por participar. Acredito que essa é uma iniciativa para caminharmos em direção à mudança.”

Ao fim, Erinelis destacou também que o tempo passou, mas os problemas continuam. “As nossas mazelas ainda nos assolam. Temos mais tempo como escravos do que libertos. Temos poucos representantes na mídia, na política e em espaços de poder. Precisamos falar sobre isso e trabalhar para melhorar a vida para essas pessoas.”

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