Barroso e os demais ministros do Supremo Tribunal Federal que estiveram em Nova York ao longo da última semana foram hostilizados, essa é a palavra, por manifestantes da extrema direita, essa é a denominação correta, que não aceitam o resultado das urnas.
Os ministros foram xingados do que há de pior no vocabulário e esboçaram poucas reações.
Barroso, após ouvir tantas grosserias, mandou um "Perdeu, mané. Não amola". Uma reação estranha para alguém que, à primeira vista, é tão eloquente e cuidadoso com as palavras.
A frase tomou conta da internet, virou meme e irritou a turma que ainda não entendeu que as eleições acabaram. Me arrisco a dizer que a reação de Barroso é um tiro de espoleta em uma guerra nuclear de ofensas proposta pelos extremos da nossa política.
Há uma antiga frase árabe que diz que o "inferno é a falta de lógica".
Concordo.
Há lógica em um extremista que ofende alguém com os piores termos que existem, se ofender com uma reação tão simplória como "perdeu, mané"? Se você xinga alguém, precisa estar pronto para ouvir o pior. De Barroso, o pior não veio, mas sim um deboche, e os agressores se doeram como nunca.
Não há lógica e o inferno está armado.
Mas é difícil esperar lógica no momento em que vivemos. Colocamos no segundo turno os dois piores candidatos do jogo democrático. Não há lógica.
Elegemos um e o outro lado não aceitou derrota, fechou rodovias e promoveu um caos no Brasil. Não há lógica em questionar um sistema eleitoral consolidado, que foi auditado, que passou no teste do tempo, que há décadas elege os mesmos que hoje não aceitam o resultado.
Quem ganha com a falta de lógica? Quem ganha quando o inferno está posto?
O pior inimigo do Brasil não é o STF, tampouco Lula ou Bolsonaro, mas sim a ignorância do seu povo.
A ignorância mata gente, a ignorância é negacionista, a ignorância não olha para o futuro, a ignorância não é patriota.
Perdeu, mané. Perdemos todos nós.
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