Sábado, 01 de Outubro de 2022
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Ansiedade x depressão: as principais diferenças entre as doenças

Entenda como os dois transtornos, que batem record de diagnóstico no Brasil, afetam o bem-estar, saiba os sintomas mais característicos de cada um e quando procurar ajuda. Especialista do Hospital Cinco de Outubro fala sobre as doenças

21/09/2022 às 14h45
Por: Redação
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Ansiedade x depressão: as principais diferenças entre as doenças

Mudanças de humor, falta de apetite, irritabilidade, sofrimento, insônia: ansiedade ou depressão? “Ansiedade e depressão são doenças comuns e presentes em uma grande parcela da população. Os transtornos podem afetar a saúde física e mental, causando mudanças negativas e preocupantes na vida de uma pessoa”, explica Jacqueline Silva.

Com atuação no Hospital 5 de Outubro, Jacqueline comenta a necessidade de buscar ajuda profissional. “É importante ficar atento aos sinais que afetam e impactam o cotidiano, como sensações de angústia, sentimentos de não pertencimento, dificuldades para se relacionar e desinteresse pelas atividades de rotina”, alerta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o 5º mais depressivo. Os dados apontam que são 18,6 milhões de brasileiros que sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade. E 11 milhões com diagnóstico de depressão.

O que é ansiedade?

Ansiedade é um estado emocional, que se caracteriza por sentimentos de tensão, preocupações e pensamentos ruins. A ansiedade é uma reação normal e natural que qualquer pessoa pode ter ao longo de seu dia, que podem estar relacionadas a falar em público, véspera de prova ou entrevista de emprego. “Em excesso, intensa e comprometendo a saúde emocional ela é considerada uma doença, merecendo atenção e cuidado adequado”, afirma a especialista.

Alguns tipos de transtornos de ansiedade:

1. Transtorno de Ansiedade generalizada: preocupação exagerada e persistente;

2. Transtorno do pânico: caracterizada por crises súbitas de ansiedade junto com medo de novas crises, com "fuga" de situações sociais para evitar angústias;

3. Transtorno de ansiedade social: medo persistente e incapacitante de ser olhado e julgado por outras pessoas

4. Outros tipos: transtornos fóbicos, ansiedade de separação, agorafobia

 

Sintomas da ansiedade:

1. Preocupação excessiva com as situações;

2. Pensamentos ansiosos;

3. Dificuldade de concentração;

4. Dificuldade de relaxar;

5. Irritabilidade e mudanças de humor;

6. Procrastinação;

7. Uso de álcool ou outras drogas;

8. Dificuldade de dormir;

9. Taquicardia, dor ou aperto no peito, falta de ar, agitação/inquietação;

10. Desconforto gastrointestinal;

11. Transpiração excessiva;

12. Dor de cabeça e dores musculares.

Mudanças no sono, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade e procrastinação são alguns dos sintomas em comum tanto para quem sofre de ansiedade, como para quem tem depressão. “Os transtornos são resultados da interação de fatores biológicos, sociais e psicológicos. Assim como ambos podem apresentar sintomas semelhantes, existem também diferenças notáveis entre eles”, destaca a psicóloga do 5 de Outubro.

 

O que é depressão?

Dificuldade de concentração, desinteresse por pessoas e coisas, pensamentos de culpa e baixa autoestima, falta de esperança, alteração de sono ou apetite, falta de energia, pensamentos sobre morte ou suicídio são alguns dos sintomas mais comuns da depressão. Segundo a psicóloga Jacqueline, a depressão é um transtorno bastante comum e caracterizado principalmente por um humor deprimido e pela falta de prazer nas atividades habituais do cotidiano por no mínimo duas semanas.

 

Alguns tipos de transtornos depressivos:

• Transtorno depressivo maior: depressão profunda, incapacitante;

• Depressão bipolar: a parte depressiva do transtorno bipolar, caracterizado pela alternância entre momentos de depressão e de euforia;

• Depressão pós-parto: acomete mulheres após o parto e pode ser grave em alguns casos;

• Distimia: uma forma crônica da depressão, com sintomas normalmente não tão intensos, mas persistentes, constantes;

• Transtorno disfórico pré-menstrual: forma grave de tensão pré-menstrual que inclui alterações extremas de humor;

• Depressão psicótica: os sintomas depressivos são acrescidos de alucinações e delírios.

 

Sintomas da depressão

1. Tristeza intensa e incapacitante;

2. Visão de si mesmo como inútil;

3. Dificuldade de concentração e de tomar decisões;

4. Baixa autoestima e autocrítica severa;

5. Visão negativa do futuro;

6. Pensamentos suicidas;

7. Sentimento de culpa;

8. Cansaço profundo ou perda de energia;

9. Diminuição do interesse sexual;

10. Redução do apetite;

11. Dificuldade para dormir;

12. Mudança de humor e irritabilidade;

13. Perda de interesse por qualquer coisa e até pelas outras pessoas;

14. Uso de álcool ou outras drogas.

 

A psicóloga Jacqueline destaque que os sintomas da ansiedade e da depressão dependem de cada situação ou gravidade do problema. “O sofrimento é maior e um transtorno acaba agravando o outro. Por isso, é importante buscar ajuda de um profissional”, enfatiza.

Quando procurar ajuda e tratamento?

Segundo a psicóloga, os tratamentos da ansiedade e da depressão também podem ser semelhantes, mas dependem da causa e da gravidade de cada caso.

“Se o transtorno for leve, com a prática de atividade física, alimentação adequada, meditação ou psicoterapia é possível ajudar a solucionar o problema. Já em casos mais graves, podem ser necessário o acompanhamento com outros profissionais, como o psiquiatra, o uso de medicação, além da psicoterapia”, explica.

A ansiedade ou a depressão são transtornos que podem se manifestar desde a infância até a terceira idade e os sintomas podem variar de acordo com a idade. Nas crianças, por exemplo, a ansiedade pode aparecer com queixas físicas como dores de barriga. Nos idosos, a depressão pode aparecer com quadros de demência, como Doença de Alzheimer.

“Saúde mental também é qualidade de vida. É importante procurar ajuda quando a pessoa nota que a tristeza ou a ansiedade passam a estar presentes na maior parte do tempo e são acompanhadas de mudanças no sono, apetite e energia. Também quando trazem prejuízos às relações com pessoas próximas, trabalho e estudo, além de sensação de incapacidade e desesperança. A presença de ideias de suicídio sempre é motivo para buscar ajuda imediatamente”, conclui a profissional.

 

 

 

 

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