Sábado, 01 de Outubro de 2022
Política Política

Deepfakes vão influenciar eleições de 2022?

Na sangrenta guerra campal pelo voto do povo brasileiro, não há cessar-fogo, não há arrependimentos, não há redenções. Por parte do povo brasileiro, falta mais senso crítico para avaliar a quem interessa uma guerra que crava facas na honra alheia. Por parte das autoridades, falta investigações mais amplas para desmontar esquemas de construção das deepfakes

15/09/2022 às 19h12 Atualizada em 15/09/2022 às 19h44
Por: Kleysykennyson Carneiro
Compartilhe:
Deepfakes vão influenciar eleições de 2022?

Imagina a cena: um político de enorme apoio popular, milhões de votos já conquistados ao longo de sua carreira, disputando a presidência da República Federativa do Brasil. De repente, um vídeo deste candidato cheirando cocaína e dizendo absurdos contra a família brasileira, contra cristãos, contra mulheres e muito mais. O vídeo toma conta de redes sociais como Whatsapp, Facebook, Instagram, Telegram – a propagação é rápida, não há controle sobre isso e o candidato despenca nas pesquisas.

Na sequência, o político vem à público dizer que tudo não passa de uma grande mentira orquestrada por inimigos, que ele jamais usou drogas na vida e traz provas conclusivas de que tudo não passa de uma mentira, de fato. Parte das pessoas ouve a versão do político, outra parte ignora e o estrago está feito: o fato será comentado por muitos anos e as eleições podem ter sido decididas.

O candidato em questão foi vítima de uma deepfake. Ele é fictício, mas o enredo não é estranho aos nossos ouvidos. Quantas figuras públicas não vimos expostas ao ridículo nos últimos anos por áudios, vídeos, fotos manipuladas?

Nas eleições de 2022, a tendência é que as deepfakes continuem a ser utilizadas e o pior: pelos dois principais lados na disputa eleitoral. Sem citar nomes, os dois grandes nomes na disputa se alimentam do antagonismo do outro e usam as mesmas táticas sujas para tentar voltar ou se manter no poder.

Dois lados tão rasteiros, que estão longe dos debates que mais importam para a sociedade, vivem em uma era em que a tecnologia facilita o absurdo. Com celulares que editam e criam fotos, vídeos, áudios e são capazes de manipular qualquer mídia, o céu e o inferno não são limites para as más intenções.

Na sangrenta guerra campal pelo voto do povo brasileiro, não há cessar-fogo, não há arrependimentos, não há redenções. Por parte do povo brasileiro, falta mais senso crítico para avaliar a quem interessa uma guerra que crava facas na honra alheia. Por parte das autoridades, falta investigações mais amplas para desmontar esquemas de construção das deepfakes.

Talvez, 2022 seja uma guerra perdida. As montagens mentirosas e deslavadas já estão influenciando o voto há alguns anos e serão, infelizmente, decisivas nas urnas. É olhar pra frente e torcer para que cada um faça sua parte por um país melhor.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.