Sábado, 01 de Outubro de 2022
Saúde Saúde

Setembro Amarelo: Mitos e preconceitos sobre a saúde mental infantil

“Os cuidados com a saúde mental devem começar na infância”, aponta psicóloga do Hospital Yutaka Takeda

08/09/2022 às 14h18
Por: Redação
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A psicóloga Ingrid lista alguns sinais que podem ajudar os adultos na hora de identificar se uma criança está com problemas e precisa de ajuda
A psicóloga Ingrid lista alguns sinais que podem ajudar os adultos na hora de identificar se uma criança está com problemas e precisa de ajuda

Assim como os adultos, as crianças e os adolescentes também podem desenvolver transtornos mentais, sendo mais recorrentes os transtornos do desenvolvimento psicológico e transtornos de comportamento e emocionais, é o que explica a psicóloga Ingrid Carvalho do Hospital Yutaka Takeda, em Parauapebas.

Ingrid ressalta que os sintomas de transtornos mentais são mais facilmente percebidos por pais/responsáveis quando há melhor espaço de diálogo com a criança ou adolescente. “Essa construção da relação dentro de casa é muito importante, porque a partir daí que a gente vai conseguir perceber mudanças. Os pais precisam tentar entender o filho para ver que alguma coisa não vai bem”, disse.

Veja alguns desses mitos mais comuns e os fatos sobre eles:

Mito – a infância e a adolescência são de forma geral os períodos mais felizes na vida da maioria das pessoas. Não devemos “psiquiatrizar” em excesso.
Fato – pelo menos 15% das crianças e adolescentes têm patologia psiquiátrica e necessitam de algum tipo de ajuda, fruto de circunstâncias individuais ou mais frequentemente do contexto em que crescem e vivem.

Mito – os problemas de comportamento ou a hiperatividade na infância são questões disciplinares, de educação, ou de famílias pobres ou problemáticas.
Fato – os problemas de saúde mental infantil são transversais a toda a sociedade, e os de ansiedade ou depressão são até bastante comuns em adolescentes de famílias diferenciadas com níveis de exigência e responsabilidade acima da média.

Mito – a capacidade de recuperação das crianças que sofrem algum tipo de problema de saúde mental é muito maior que nos adultos, pelo que apenas em casos excepcionais são necessárias intervenções especializadas nesta área.
Fato – todos conhecemos e nos lembramos exemplos de adultos de sucesso que tiveram infâncias ou adolescências problemáticas, mas, simultaneamente, “esquecemos” de forma seletiva que a maioria dos adultos problemáticos tiveram infâncias disfuncionais e frequentemente sem qualquer oportunidade de ajuda para o seu equilíbrio, crescimento e sofrimento mental.

Mito – quem vai a consultas de Pedopsiquiatria, vai tomar medicação o resto da vida. Fato – uma grande parte das intervenções em consulta de Pedopsiquiatria não implica intervenção de medicamentos, no que diz respeito a ajuda em situações pontuais de crise, problemas que ocorrem ao longo do desenvolvimento, ou ainda a dúvidas sobre o normal e patológico.

“Infelizmente, apenas metade das crianças e adolescentes com problemas de saúde mental diagnosticáveis recebem o tratamento de que precisam. O apoio precoce à saúde mental pode ajudar uma criança antes que os problemas interfiram em outras necessidades de desenvolvimento”, explica a psicóloga Ingrid.

A especialista lista alguns sinais que podem ajudar os adultos na hora de identificar se uma criança está com problemas e precisa de ajuda.

• Está com dificuldade na escola e não consegue se concentrar;

• Está agressiva;

• Apresenta mudanças de comportamentos;

• Tenta se machucar com frequência;

• Evita amigos e familiares;

• Passa por mudanças constantes de humor;

• Está sem energia e motivação;

• Apresenta dificuldades para dormir ou tem muitos pesadelos;

• Costuma se queixar muito de dores ou desconfortos físicos.

Na adolescência, o pedido de ajuda pode aparecer de forma implícita. “Alguns não sabem como se comunicar com familiares, mas começa daí, de uma dificuldade de se sentirem compreendidos, e vão alimentando um isolamento, dificuldade de sair do quarto, de fazer atividades externas”, afirma. “Tem pais que vêm com o discurso de ‘Ele tem tudo, não sei por que está triste’. Mas, às vezes, existem questões que os pais não sabem e a falta de uma participação mais presente na vida dos filhos podem implicar nesse processo”, exemplifica a psicóloga.

É importante ressaltar que os transtornos mentais possuem tratamentos específicos e, por isso, requerem o cuidado próximo de um profissional. Se perceber algum dos sintomas acima, busque rapidamente orientação médica.

Confira algumas dicas para cuidar da saúde mental das crianças e dos adolescentes:

• Realizar atividades prazerosas e que tenham valor para a criança ou o adolescente, como ler, cantar, praticar algum esporte, entre outras;

• Estabelecer horários e rotina para as atividades do dia a dia;

• Explicar sobre os sentimentos e as emoções para as crianças;

• Promover conversas abertas e sem julgamentos sobre possíveis problemas que a criança ou o adolescente esteja enfrentando;

• Manter a alimentação e o sono saudáveis;

• Praticar exercícios físicos regularmente.

• Ter uma participação mais ativa na vida dos filhos, tirando um tempo para fazer algo em família, sem outras interferências.

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