Sábado, 01 de Outubro de 2022
Canaã dos Carajás Cultura

Mapeamento Cultural chega à zona rural de Canaã dos Carajás

30/08/2022 às 16h05
Por: Redação
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Mapeamento Cultural chega à zona rural de Canaã dos Carajás

Em seu terceiro mês de atuação no município, o Projeto “Canaã, Berço da Cultura Criativa” chega à zona rural de Canaã dos Carajás, mapeando mestres de culturas populares, artistas, grupos e espaços culturais. Até o momento já foram percorridas as comunidades: Vila Planalto, Vila Nova Jerusalém, Vila Feitosa, Vila Ouro Verde, antigo CEDERE 3, Vila Bom Jesus, Chacreamento Sofeque e VS-58 no sentido Canaã dos Carajás – Posto 70.

A extensão territorial de Canaã dos Carajás ganha contornos na divisa entre os municípios de Parauapebas, Água Azul do Norte, Sapucaia, Terra Indígena (TI) Xikrin do Cateté e Curionópolis, aponta Jairon Gomes, mestre em “Demandas Populares e Dinâmicas Regionais” pela UFNT e um dos coordenadores do projeto. 

O diálogo vem sendo feito com pequenos produtores rurais ou mesmo com as comunidades tradicionais. Recentemente estivemos com uma das lideranças da Cooperativa da Agricultura Familiar de Canaã dos Carajás (Cooafac), Maria Eliselma. O intuito é de envolvemos os pequenos produtores rurais da agricultura familiar no mapeamento cultural. Sabemos que historicamente é no ambiente da zona rural que encontramos fortemente as expressões da cultura popular e tradicional, sendo elas as festas de Folia de Reis, do Divino Espírito Santo, cavalgadas e outras manifestações religiosas.

“É no campo que encontramos os principais sujeitos responsáveis pela economia criativa e colaborativa com um forte traço da economia solidária como base de funcionamento”, ressalta Deize Botelho, diretora da Tallentus Amazônia, gestora do projeto. São nesses territórios que encontramos riquezas culturais que simbolizam o poder dos encontros migratórios que marcam a história da formação de Canaã dos Carajás. São nordestinos, na sua grande maioria oriundos do Maranhão, outros do Ceará e Piauí que se assentaram na zona rural ou foram em busca de melhores condições de vida no campo. Em breve, será visitada à TI do Povo Atikum, na VS 47, afirma Deize. 

Na Vila Ouro Verde, antigo CEDERE 3, a equipe esteve na escola municipal Carlos Henrique que realiza o projeto educacional e cultural “Coral Escolar Vozes do Campo”. Na última semana, o Coral fez a sua primeira apresentação integrada ao projeto “Família e Escola Unidas por um Bem Maior”. A direção e coordenação da escola manifesta a intenção futura de montar um grupo de dança e de teatro, trabalhando as artes integradas com os conteúdos escolares, de uma forma multidisciplinar.

O ambiente escolar e a escola enquanto instituição assume o protagonismo nas comunidades do campo, quando o assunto é cultura. É a partir desse espaço político que encontramos o Sr. Manoel Mendes da Silva, mestre da cultura popular, que também atua como vigilante do município. Morador da Vila Feitosa, em seus relatos orais relembra como eram as festas e tradições populares na zona rural em épocas de festividades juninas. Ainda no contexto das relações entre as escolas e as vilas, temos na Vila Planalto a atuação do diretor e educador Airton Carvalho Fonseca, que desenvolve um brilhante trabalho na coordenação de três grupos culturais, sendo um grupo de quadrilha, teatro e dança envolvendo crianças e jovens da comunidade. 

É com foco nas festas populares que a equipe do mapeamento visitou a Vila Nova Jerusalém em busca das histórias e origem do Boi Brilho do Sonho, capitaneado pelo também mestre da cultura popular, Sr. Valdemar Menezes da Silva, um dos moradores oriundos do Maranhão e que manifesta muito orgulho das suas tradições.

Falando em tradições, é na Vila Bom Jesus que encontramos Maria Pereira da Silva, também mestre da cultura popular, migrante da Bahia e que por muito tempo foi rezadeira e curandeira. Aprendeu com o pai os trabalhos com a reza, mesmo que atualmente não esteja mais atuando na área. São homens e mulheres do campo, das vilas e povoados como Agripino Rodrigues do Prado que desvendam habilidades artísticas em plena pandemia de Covid19. Como ele não tinha condições de realizar as tarefas pesadas do sítio, ocupava as suas horas talhando imagens de rosto humano nas sementes de inajá, resultando na produção e lapidação de lindas esculturas.

Esses e outros fazedores da cultura local irão compor a publicação resultante do mapeamento em uma revista eletrônica contendo as principais informações sobre as riquezas culturais do município. Você pode acompanhar os bastidores do mapeamento através do perfil do Pontal Instituto Cultural no Instagram. Lá você também encontra os formulários I e II disponíveis para preenchimento @pontalinstitutocultural. Mais informações pelo contato (94) 98434-9148 – Jairon Gomes.

O projeto da Associação dos Artistas Visuais do Sul de Sudeste do Pará, tem o apoio da Prefeitura Municipal de Canaã dos Carajás via Termo de Fomento Nº 08/2022 e Emenda Impositiva Nº 015/2021 pleiteada pelo vereador Anderson Mendes.

 

 

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