Sábado, 01 de Outubro de 2022
Crônica Coluna

COLUNA | O diabo sempre escolhe os seus em Canaã dos Carajás

O roteiro é o mesmo, mas não engana ninguém: o diabo leva alguém que está esquecido no deserto em Canaã para cima de uma montanha e diz: “Se me servires, terá todos os reinos desta Terra Prometida”. Besta é quem cai na lábia do demônio

15/08/2022 às 18h08 Atualizada em 15/08/2022 às 18h14
Por: Kleysykennyson Carneiro
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COLUNA | O diabo sempre escolhe os seus em Canaã dos Carajás

Nada mais bíblico e profético do que uma cidade chamada Canaã. Os pioneiros desta terra não escolheram esse nome ao acaso: o leite, o mel, o cobre, o níquel e o ferro são abundantes e fazem esta região rica, independente; um município de exceção. A Terra Prometida atrai olhares e pessoas do mundo todo – pessoas boas e pessoas ruins.

Mas Canaã não é bíblica só no nome e nas riquezas. Em ciclos eleitorais, vividos a cada dois anos, sempre me lembro do livro de Mateus, mais especificamente do versículo 8 do capítulo 4. Jesus, que estava no limite de suas forças em um deserto após 40 dias, é tentado pelo diabo. Lúcifer leva Jesus ao topo de um morro e mostra ao filho de Deus todos os reinos e riquezas do mundo e mente. “Eu te darei tudo isso, se você se curvar a mim e me adorar”.

De acordo com a história contada no livro de Marcos, Jesus ordena que o demônio vá embora e reafirma sua fé: “A bíblia diz que se deve adorar apenas a Deus e servir somente a Ele”. O capeta vai embora e não incomoda mais Jesus naquele deserto.

A cada dois anos, sempre às vésperas de eleições, o diabo deixa sua casa, surge por aqui e escolhe algum miserável que atravessa um deserto de ostracismo para tentar manipular.

O diabo leva o miserável para cima de uma montanha, mostra as riquezas e possibilidades do lugar, e diz que para ter tudo aquilo é bem simples, basta adorá-lo. Como o deserto é duro, a fome e a sede são condições humanas, e o miserável tem o caráter duvidoso, ele se ajoelha, adora o diabo, aceita suas condições e vai ao mundo ajudar o capeta em seu serviço: mentir, matar, roubar e destruir.

De todos os cooptados pelo demônio até aqui, pouquíssimos resistiram às tentadoras propostas. A maioria vai em frente com o trabalho do capeta e, muito embora não cause estragos relevantes, incomoda como todo e qualquer demônio.

Sempre que lia esse episódio narrado no livro de Marcos, ficava admirado com a força que Jesus possuía. Nas antigas aulas de catequese e Escolas Bíblicas de Férias, aprendíamos que Jesus nem água tomou durante os 40 dias. Na minha cabeça de criança pensava: Jesus é realmente o filho de Deus, pois eu jamais aguentaria 4h sem tomar água, imagina 40 dias.

Hoje, penso que eu não julgaria Jesus se aceitasse a proposta do diabo. São 40 dias vendo apenas areia, sem comida, sem água. Provavelmente, eu pensaria que as riquezas ofertadas dariam para comprar água. Vale lembrar que Jesus era humano àquela ocasião – tão humano quanto qualquer um de nós.

Por isso, não julgo quem escolhe se ajoelhar aos pés do demônio em Canaã. Cada um sabe o deserto que atravessa e nenhum de nós tem moral para julgar as escolhas de ninguém, ainda que seja para entregar sua vida ao capeta.

No entanto, Jesus não aceitou aquela proposta por duas razões: 1 - Ele sabia bem do seu propósito, ele sabia o que ele deveria fazer, e contra quem deveria lutar em sua existência na Terra. 2 – Ele sabia que adorar ao demônio e aceitar aquelas riquezas era vender a própria alma e aceitar o inferno eterno.

Aqui, não é diferente. Escolher o lado do demônio é entregar a própria alma às trevas.

Vale mesmo a pena queimar por riquezas falsas? Acho que não.

 

 

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