Sexta, 19 de Agosto de 2022
Crônica Crônica

Ellen através do universo

Ellen veio ao mundo no dia 27 de julho de 2022, às 11h da manhã. Relembrando fatos que antecederam a chegada dela, pensei nas moléculas que dizem sim a outras moléculas e que sempre existiram

27/07/2022 às 14h56
Por: Kleysykennyson Carneiro
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Ellen através do universo

Ellen veio ao mundo no dia 27 de julho de 2022, às 11h da manhã.

Veio com saúde perfeita sem atrasar nem um dia, sem demorar tanto, sem dar trabalho.

Rememorando alguns fatos que antecederam a chegada dela, alguns me chamaram a atenção, como a mãe dela ouvindo várias vezes seguidas uma versão de Across the Universe dos Beatles cantada pela Amy Lee - uma bela versão, diga-se de passagem.

Nós somos feitos de átomos, que são feitos de partículas - prótons, nêutrons e elétrons, que formam moléculas. Uma molécula diz sim a outra molécula, e bilhões, trilhões, se juntam para compor a matéria.

Na natureza, que nada se perde, nada se cria e tudo se transforma, acredito que as moléculas que formam a Ellen sempre existiram. A matéria que compõe o corpo pequeno e perfeito corpo da minha filha sempre existiu, jamais teve um começo, jamais vai ter um fim.

Para muito além do nosso quando, Ellen viajou por todos os confins do universo. Os invisíveis e indivisíveis átomos que compõem a matéria dela já foram, trilhões de anos atrás - num tempo que, para nós, mora apenas na filosofia - poeira cósmica, que passou por planetas, constelações, galáxias antes de se transformar no que é hoje.

Na geografia dos nossos dias, acredito que os átomos que formam os ossos, a carne, as unhas, os cabelos da Ellen cruzaram o universo e se reencontraram no amor do pai e da mãe dela. Ellen vai além dos conceitos de gametas, fecundações, embriões.

Ellen está mais para supernovas, constelações, galáxias, estrelas que colidem, planetas que surgem, estrelas que nascem e que, claro, moram na filosofia. Minha filha, que atravessou o universo para estar aqui hoje, vai muito além do que é empírico; ela é o singular, que cruza galáxias, que faz e se refaz.

De fato e com efeito, Ellen sempre existiu. Outrora poeira cósmica, outrora colisões infinitas entre estrelas em multiversos, outrora mamífera que se apega ao peito e ao oxigênio para existir, Ellen veio para ficar.

E depois, num tempo distante demais para a compreensão humana, infinita tal qual é, a Ellen vai flutuar entre estrelas. Eterna, cadente, quebrando as barreiras do espaço, do tempo e cruzando os universos que quiser.

Já não falta mais nada.

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