Sexta, 19 de Agosto de 2022
Região de Carajás Ainda sem solução

5 anos depois, assassinato de prefeito de Tucuruí segue sem solução

Meia década depois de uma das mais cruéis execuções da história do Pará, a morte de Jones William, prefeito de Tucuruí morto enquanto trabalhava. Gazeta Carajás entrevista hoje (25) líder político que até hoje luta por justiça

25/07/2022 às 11h37
Por: Kleysykennyson Carneiro
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5 anos depois, assassinato de prefeito de Tucuruí segue sem solução

Na tarde do dia 25 de julho de 2017, Jones William, prefeito de Tucuruí, estava fiscalizando a obra de uma estrada que dava acesso ao aeroporto municipal. Em pleno verão amazônico, o sol castigava os trabalhadores e o gestor municipal, que para se proteger usava um chapéu.

Por volta das 15h30, o segurança do prefeito deixou o local onde estava para comprar vassouras para os trabalhadores da obra. Logo depois, dois homens em uma motocicleta se aproximaram e gritaram "Ei, Jones! Perdeu, perdeu!". O prefeito se virou no instinto de atender pelo nome, e levou o primeiro tiro que o levou ao chão. 

Na sequência, o matador disparou várias vezes contra Jones. O prefeito recebeu os disparos, sem poder se defender. Ele ainda foi levado ao hospital, mas não resistiu ao crime. O chapéu que usava, citado acima, ficou no local embebido em sangue.

Passada meia década do crime, as pessoas que mandaram matar Jones ainda não foram presas.  O executor do prefeito logo foi identificado. Tratava-se de Bruno Venâncio, jovem pistoleiro da região, que já tinha no currículo a morte de um empresário em Itaituba. Frio, bárbaro e cruel, Venâncio matava por dinheiro e sequer cobria o rosto durante os atos. Era conhecido pela sua "eficiência" nos crimes que cometia: atirava até ter certeza que suas vítimas estavam mortas. Bruno foi preso e meses depois foi morto dentro presídio, após uma rebelião.

Se o executor do crime logo foi identificado, preso e já está morto, os mandantes do crime ainda não pagaram pelo que fizeram. A principal acusada é Josenilde Brito, mãe de Artur Brito (vice de Jones). A mulher é empresária no município e teria ficado insatisfeita com a política de austeridade fiscal de Jones, que tentava, segundo informações, pôr as finanças do município em ordem. Josy se beneficiaria diretamente com a morte do prefeito, pois seu filho assumiria a gestão de Tucuruí e poderia favorecê-la em processos futuros.

Josy Brito e Jones

Artur era apontado, à época, como um dos melhores amigos de Jones, viajavam juntos e conviviam em paz. Ele era uma das figuras mais emocionadas no velório de Jones e a sua mãe, à época, dizia considerar o prefeito um filho, já que Artur o via como um irmão. Passados alguns meses, a trama sórdida veio à tona e Josy foi presa pelo crime, mas solta pouco tempo depois. O sucessor permaneceu no cargo, foi afastado algumas vezes, mas terminou o mandato.

Ano passado, populares liderados pelo irmão de Jones, Weber Galvão, protestaram contra a justiça, que cinco anos depois ainda não deu respostas à população.

Entrevista

Para falar sobre os 5 anos da morte de Jones William, o Gazeta Carajás vai entrevistar hoje (25) o professor José Newton Guimarães. Importante liderança política de Tucuruí, José Newton era amigo pessoal de Jones e sua família e acompanhou todos os desdobramentos do crime.

A entrevista será às 15h desta segunda (25) ao vivo em nossa página do Instagram.

Participe enviando sua pergunta e acompanhando esse bate-papo.

 

 

 

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