Quarta, 29 de Junho de 2022
Tecnologia Novos tempos

COLUNA | Metaverso: Um novo mundo! Ainda para poucos!

Em sua coluna de estreia, Jorge Tomazi opina sobre o Metaverso e a atual realidade do mundo. "No momento, o Metaverso é um pequeno mercado altamente especulativo e baseado em conceitos de valoração patrimonial fracos"

14/06/2022 às 12h04 Atualizada em 14/06/2022 às 13h19
Por: Jorge Tomazi Trajane
Compartilhe:
COLUNA | Metaverso: Um novo mundo! Ainda para poucos!

O Metaverso foi um dos temas mais comentados na Internet nos últimos meses. Entre os anúncios de investimentos de bilhões de dólares, o surgimento repentino de milhões de “gurus” vendendo fórmulas mágicas de investir em NFT e Criptomoedas e o escalar de notícias dos valores milionários pagos em “terrenos”, destaca-se o dono do Facebook, Instagram e WhatsApp, Mark Zuckerberg, anunciando suas ambições neste novo mercado e a mudança de nome de sua empresa para Meta.

Mas afinal o que é Metaverso? Inicialmente é importante dizer que o conceito de metaverso não é novidade, surgiu na literatura da década de 90 e já foi pano de fundo para filmes como “Matrix”, “Substitutos” e o “Jogador número 1”. Para simplificar, podemos entender que todo jogo que permite que mais de um jogador, ocupando a posição de um “personagem” com visão em primeira pessoa, interagindo ao mesmo tempo entre si e com o ambiente virtual é um tipo de metaverso.

O avanço da tecnologia 3D com a utilização de óculos de realidade virtual e a internet de alta velocidade estão permitindo que vários usuários, por meio de avatares digitais e em um mesmo ambiente virtual compartilhado, compartilhem sensações muito próximas as do que teriam na vida real, ou seja, amplifica todas as possibilidades de navegação e interação entre pessoas do mundo inteiro, que já existiam nas rede sociais e grupos de bate papos, com a sensação de estar fisicamente imerso em mundo surreal.

Neste contexto podemos concluir que metaverso é uma evolução de tudo que já é utilizado em games há anos e que até então, não despertava grandes interesses de outros segmentos tecnológicos. Esta situação passou a mudar com a criação da tecnologia dos “blockchain”, que permitiram a criação das criptomoedas e NFT.

A tecnologia “blockchain” permitiu a criação de ativos patrimoniais na Internet, ou seja, agora é possível  que um conteúdo totalmente digital possua um dono real e somente possa ser transferido para terceiros com sua anuência, em um conceito análogo ao de ter uma casa escriturada em um cartório de imóveis.

A propriedade virtual inicialmente surgiu na forma de moedas digitais, os famosos Bitcoins, que antes da “blockchain” não eram possíveis de existir pela falta de segurança na operacionalidade e na transferência de propriedade. E é neste momento que o mundo virtual se funde à base fundamental do capitalismo e a forma mais cruel de distinção entre os homens, a propriedade privada como forma de distinção social. 

No metaverso caminhamos literalmente em um ambiente virtual. Nosso avatar utiliza roupas, podemos construir casas e até possuir obras de arte digitais. Devido aos "blockchain" cada item pode ser exclusivo de uma pessoa ou de compra limitada, criando um mercado virtual, pago com dinheiro real e que permite que as pessoas se diferenciem pelo que tem e pelos ambientes que consegue pagar para acessar.

Sem apologias ou ideológicas clichês, quando surgiu a ideia de ter um ambiente virtual que simulasse a vida real, eu sinceramente não esperava que ele fosse tão real assim!!! Como se já não bastasse toda a dificuldade financeira das classes mais pobres de terem acesso aos meios tecnológicos mínimos para navegar na Internet, o chamado Metaverso aponta para um cenário ainda mais segregador, quando ele cria a condição financeira como a forma preponderante de formação de grupos e interação de pessoas.

No momento, o Metaverso é um pequeno mercado altamente especulativo e baseado em conceitos de valoração patrimonial fracos, como o lançamento limitado de “terrenos virtuais” e na proximidade de grandes marcas e personalidades. Um jogo de gato e rato, sem regulamentação governamental e um conceito muito parecido aos das pirâmides financeiras, onde quem chega primeiro, tira seu lucro do próximo a chegar. 

Os mais otimistas, e faço parte deste grupo, a pluralidade de forças da Internet vai levar a criação de metaversos alternativos, mais inclusivos, ou até mesmo na ruptura desde ambientes baseados na ostentação financeira, seja pelo fluxo das massas ou seja por um hacker anônimo que quebre a segurança do “blockchain” e o castelo de cartas desmorone.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.