Quarta, 29 de Junho de 2022
Mineração Exploração ilegal

Apreensão de minério ilegal este ano já supera 2021 no Pará

Polícia Federal já apreendeu 1,36 mil toneladas de minérios ilegais, entre eles manganês e pedras preciosas

27/05/2022 às 18h45
Por: Redação
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Apreensão de minério ilegal este ano já supera 2021 no Pará

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, somente este ano, 1,36 mil toneladas de minérios ilegais, entre manganês, pedras preciosas e metais, no estado do Pará. O montante dos cinco primeiros meses de 2022 já é maior que o total apreendido em todo o ano passado, quando foram registradas 919 toneladas.

Somente no mês passado, a PRF apreendeu, respectivamente, nos dias 24 de abril e 15 de maio, cargas de 100 e 800 toneladas de minério (esta última carga avaliada em R$ 1 milhão).

Segundo o Policial Rodoviário Federal, Salim Junes, Chefe do Núcleo de Comunicação Social da PRF/PA, este não é um crime recente, há anos ocorre, mas os indicadores já chamam atenção. "Essa última ocorrência foi atípica, envolveu um número expressivo de cargas, o que elevou os números. Podemos perceber, também, a figura do batedor e de radiocomunicação, assim como nos demais crimes, principalmente no transporte de drogas, para que caso surja uma fiscalização eventual, eles consigam driblar", diz o agente.

Ainda de acordo com o PRF, os municípios que estão no centro do comércio clandestino de minério são Marabá, Pacajá, Curionópolis e Parauapebas. "Identificamos que o minério estaria a caminho dos portos da região e, segundo informações do Ministério da Economia, a maior parte das apreensões feitas no sudeste do estado seguiria para a Ásia".

Além da fiscalização nas estradas, na semana passada, em uma operação realizada pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Agência Nacional de Mineração (ANM), houve a interdição de um garimpo ilegal de manganês. No local, foram apreendidos 2,4 toneladas de minério extraído de forma irregular, um britador e duas retroescavadeiras.

Em Roraima, uma operação, deflagrada no último dia 19, indica que o grupo criminoso ligado a uma empresa de táxi aéreo e a outra empresa de poços artesianos possui por volta de 20 helicópteros destinados ao transporte do minério extraído ilegalmente.

Luciano Stremel Barros, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), destacou os crescentes crimes na região Norte do país, em que além da extensão territorial, há vastas áreas de fronteira. 

"Importante pensarmos constantemente na securitização das fronteiras. Além dos minérios, a cada dia há mais formas ligadas à expansão da criminalidade e, especialmente na região Norte, o país necessita repensar as suas riquezas nessas áreas e desenvolver com visão para a sustentabilidade: com mercado formal e com produtos nacionais sendo empregados de forma correta, para que essa riqueza possa ficar no país".

A Vale é a dona de direitos minerários em oito grandes áreas de Marabá, e tenta vender esses títulos a outras empresas. O "Estadão" também apurou que a Vale nunca fez extração do manganês em suas áreas, mas viu suas áreas serem invadidas nos últimos anos pela extração ilegal. "Nenhuma solução concreta, porém, foi dada até hoje a essas invasões.

 

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