Quarta, 29 de Junho de 2022
Opinião Coluna

COLUNA | Lá vem o Darci descendo a ladeira

Pouco importa a vida pessoal do prefeito de Parauapebas ou da (ex?) primeira-dama. A pauta é a derrocada de um império, Darci descendo a ladeira, a metáfora da bike sem freios desgovernada

17/05/2022 às 12h30 Atualizada em 17/05/2022 às 12h34
Por: Kleysykennyson Carneiro
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COLUNA | Lá vem o Darci descendo a ladeira

Para começo de conversa, me recuso a falar sobre o vídeo de uma cidadã de Parauapebas flagrada em um momento íntimo, completamente embriagada e sendo tocada de forma invasiva por um homem desconhecido do grande público, mas bem familiar a ela, pelo visto. Pouco importa o fato de que a cidadã em questão é a (ex?) primeira-dama de Parauapebas e que ela, como figura pública, seja assunto relevante na pauta de qualquer jornal. Não vou falar sobre o fato de que o vídeo se espalhou pelas redes sociais de todo o Brasil e que isso fez o homem mais poderoso de Parauapebas, uma das cidades mais importantes do país, virar chacota nacional.

A verdade é que pouco importa a vida pessoal de Darci e de sua esposa ou ex-esposa. A verdade é uma só: o homem vive um inferno astral. Em partes, a tormenta que vive é ocasionada por seus próprios erros, como Caixa 2 em campanha, como uma viagem desnecessária a Dubai, como a breguice e megalomania de fazer o famigerado “maior churrasco do mundo” – este último, criticado e zombado em escala mundial.

Ao pensar em Darci Lermen e sua vida como prefeito e pessoa, me ocorre a metáfora da bicicleta sem frios e desgovernada descendo uma ladeira. Mesmo sem querer, você ganha velocidade em descida, tenta usar artifícios para colocar a bike nos eixos, mas não consegue. Só resta segurar firme o guidão e torcer para a queda não ser tão dolorida.

A carreira política de Darci é hoje a bike descendo a ladeira desgovernada. Ele tem as duas mãos no guidão, mas o guidão treme, o pneu vira pra direita e pra esquerda de forma abrupta sem parar num movimento perpétuo. Dá agonia só de ver. Por mais que você não goste de alguém, é triste imaginar qualquer pessoa vivendo tal situação. Eu, que não tenho nada contra o prefeito de Parauapebas, assisto suas movimentações com aperto no coração e só consigo pensar “que bom que não é comigo”.

Darci tem problemas na justiça, ainda está governando por conta de firulas na lei brasileira, mas é um prefeito cassado e, fosse em um país mais sério, estaria afastado do cargo – até para que pudesse se defender com mais decência.

Mas não – Darci se apega ao poder, não larga o osso, não desiste e toma porrada de todos os lados. O prefeito de Parauapebas não tem sequer amigos, como ficou claro depois da polêmica envolvendo sua família. Aparentemente, quem se aproxima dele não quer nada além de um pouco de seu poder, ou estar mais próximo dos cofres bilionários de Parauapebas. Os piores traidores do prefeito de Parauapebas estão ao seu lado, na belíssima obra localizada no Morro dos Ventos. E ele sabe disso.

O prefeito segue sua vida como se nada o abalasse. Nem Ministério Público, nem população, nem a chacota nacional. Mas Darci não é uma rocha sem sentimentos. Ele está sentindo a dor de ser tão odiado pelo próprio povo que o elegeu. O gestor sente o império que construiu ruir e isso dói. É nítido em sua feições o incômodo.

Com a licença do saudoso Moraes Moreira, “Lá vem o Darci, descendo a ladeira. Quem desce do morro, morre no asfalto esburacado” A certeza é que a bike vai cair, resta saber quando e como será a queda.

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