Terça, 17 de Maio de 2022
Região de Carajás Reflexão

COLUNA | Violência contra mulher em Carajás: problema de todos nós!

Venuzia: Em Marabá e Xinguara, cidades da região de Carajás, mulheres foram agredidas e presas por seus companheiros. É preciso debater e refletir sobre isso

11/05/2022 às 10h23
Por: Venuzia Fernandes
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Foto: pixabay.com
Foto: pixabay.com

O último final de semana, o do Dia das Mães, foi marcado por bastante violência contra mulheres da região Carajás.

Marabá e Xinguara registraram casos de agressão contra mulheres que vieram a público e repercutiram bastante.

Os companheiros dessas vítimas tentaram resolver os desentendimentos através da força do punho e violentaram suas esposas sem piedade. Hematomas e deformações em suas faces ficaram, mas certamente e principalmente marcas a nível psicológico e emocional perdurarão em suas vidas por um longo tempo.

Existe justificativa para um homem agredir uma mulher?

Há quem diga que sim. Por traição, por exemplo.

Culturalmente os homens traem mais do que as mulheres e mesmo assim quando fazem, são perdoados pela sociedade, você já notou? - “Ah, mas faz parte do jeito do homem”, “mas ele é trabalhador”, “mas ele supre todas as necessidades da casa”, “culpa dela que não se arruma”.

Caso a traição seja proveniente da mulher: “vagabunda”, “piranha”, “não merece o marido que tem”, “apanhou porque traiu”.

Existe uma cultura e estrutura na nossa sociedade que sustenta essa condução do processo que envolve as relações amorosas entre homem e mulher, porém precisamos muito falar sobre, repensar e mudar essa estrutura.

Nota-se que casos envolvendo violência física, quando mulher que é traída e reage agredindo o marido, ela é a louca, psicopata e desequilibrada, além do que ela não recebe apoio da sociedade muito embora também tenha sido vítima de uma outra forma.

O homem que é traído e reage agredindo a esposa, é visto como alguém que precisa ser apoiado, como de fato é na prática, assim como também existe sempre uma justificativa para os seus atos.

Essa é a realidade da atuação da sociedade, o que nos traz um problema estrutural e cultural enorme e desde que o mundo é mundo as coisas funcionam assim. 

Então, cabe a pergunta: como podemos mudar isto?

Acredita-se que muito pode ser feito, as atitudes mais simples de cada um de nós individualmente fazem muita diferença. Através da promoção da conscientização e educação da iniciativa pública, sim. Mas também cada ser fazendo sempre sua parcela.

Permitir-se entender melhor essas condições que foram estabelecidas para nós na sociedade, abrir mão desse modelo patriarcal e retrógrado de deterioração e tentativa de anulação da mulher e dos seus direitos. Seja você mulher ou homem, pois sabemos que essa reconstrução precisa de juntos andarmos na mesma direção e em apoio mútuo na busca pela igualdade de direitos.

Cada um pode fazer alguma coisa para mudar isso e ajudar a influenciar mais pessoas.

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